sábado, 27 de agosto de 2011

Um canto no tom de Cássia

Era mês de setembro de 2007 quando uma pessoa me disse que eu era muito prolixa, por isso aquela música combinava comigo. Eu estava ouvindo Cassia Eller - Palavras ao vento. Tinha dezesseis anos de pura meninice. Na hora não fez sentido pra mim. Nos últimos anos tem feito toda a diferença. Naquele momento da vida talvez, eu estivesse falando muito - mas lembro que naquele exato momento não estava. Eu não estava conversando. Estava quieta recostado em meu travesseiro olhando para a estrada, rumo a Santa Catarina.

Não tenho problemas em falar, principalmente em público. Mas esse "prolixa"  entrava de uma maneira diferente em sua enfática colocação. Uma delas era no justificar. Justificar meus atos, explicar minhas atitudes e meus sobresaltos que por vezes - ou quase todas as vezes foram inocentes, apaixonantes, persistentes e vários (oxi sim) decepcionantes.
Houveram situações em que quanto mais eu me apeguava as palavras e as frases ditas, e com ainda mais força, as que não foram ditas... Engoli a seco. Sozinha. Acabaram contidas e somadas as que foram se esquecendo nos dias, aos abraços vazios e nas porfias de idas e vindas eu me perdia; eu seguia junto ao som da música naquele "ando por aí querendo te encontrar, em cada esquina paro em cada olhar". No mesmo ano eu aprendi a tocá-la no violão.

Lembrando de algumas situações, o que sinto não tem outro nome além de nostálgico. É como se aquela menina acelerada e instigada pela vida em cada fibra estivesse registrada em um diário, que só conheceu que quem leu escondido.
Agora eu me encontro onde se lê em D9 "deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar". Falo menos, ou talvez eu só tenha aprendido a dedicar toda a minha saliva para quem presta, se interessa. Ou também tenha desenvolvido a habilidade de falar na hora certa, porque hoje já não cabem aquelas palavras. Minhas palavras não foram apenas palavras ao vento, nem mesmo as "palavras pequenas"
Em toda a melancolia que se tornou essa música para mim guardo nela também um riso escondido. Hoje eu só lembro a cifra e não sei dizer se meus dedos reconheceria com a mesma facilidade como os meus ouvidos. Não tenho mais a preocupação da minha prolixidade, principalmente no que diz respeito a sentimentos. Traz paz ao coração quando penso que podemos sim soltar palavras ao vento. principalmente se essas forem de carinho e de juras de amor. O meu presente tem a parte final da trilha "A9 que o nosso amor pra sempre D9/B viva. Minha dádiva." e mesmo que se finde a música eu só dei início a narrativa, ainda temos várias palavras por aí.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Sonho de realidade

Sabe quando já se passarem anos? Sabe quando já se confundem as histórias, os dias e as risadas saem não só com as lembranças mas também pelas confusões até se completarem as recordações? É uma sensação tão gostosa, por mais que pareça estranho. Isso porque a parte boa é preenchida pela certeza de que essa pessoa já está tão encaixado na sua vida que é, como se aquela parte ali esculpida para ela, já estivesse no seu melhor grau de lapidação. Mas isso vem dos anos, eu sei - porque sinto na pele a cada vez que por ele, ela arrepia. Da pedra bruta antes de qualquer toque, percebo nas nossa primeiras fotos aquelas sem retoques o sorriso tão tímido e puro de olhar doce.
São tantas as coisas que você aprendeu a gostar comigo, são tantas outras que você já me incentivou, são vários os cds que já gravamos para deixar no carro onde embalados pegamos a estrada e fomos em um rumo ao nosso gosto, se estávamos de carona foi em seu ombro que repousei e no avião foi sua mão que apertei quando juntos decolamos.
É realmente incrível como enquanto eu tenho você eu consigo me orientar, como diz F. Anitelli, porque só enquanto eu respirar vou me lembrar de você. Minha vida, meu ar, a melhor parte da minha história.